Novo estudo aponta diagnóstico tardio em 60% dos casos de câncer colorretal; Especialista


Segundo o Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo, o atraso no diagnóstico reflete falhas no rastreamento e baixa adesão aos exames preventivos

Um novo estudo da Fundação do Câncer revelou que mais de 60% dos 177 mil casos de câncer colorretal registrados no Brasil entre 2013 e 2022 foram diagnosticados em estágios avançados da doença.

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O levantamento expõe uma realidade alarmante: metade dos pacientes chega ao sistema de saúde com câncer metastático (estágio 4) e 25% no estágio 3.

O Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo e oncológico, esclarece que os estágios do câncer de intestino variam do estágio I, quando o câncer invadiu toda a parede do intestino mas não a atravessou, até o estágio IV, quando o câncer se espalhou para órgãos distantes como fígado ou pulmões.

Dados da pesquisa ainda apontam que 85,9% dos pacientes têm 50 anos ou mais, o que reforça a importância de estratégias de rastreamento voltadas para essa faixa etária.

No entanto, um relatório divulgado pela Sociedade Americana do Câncer em 2024 indica um rápido aumento também na incidência de câncer colorretal entre pessoas na faixa dos 20, 30 e 40 anos.

O que é o câncer de intestino?

Segundo Nacif, esse tipo de câncer geralmente se origina a partir de crescimentos anormais de células evoluindo com pequenas lesões chamadas pólipos adenomatosos que podem se tornar cancerígenas ao longo do tempo.

“O câncer colorretal pode se desenvolver por muitos anos sem causar sintomas visíveis. No entanto, à medida que o câncer cresce, podem ocorrer sinais e sintomas como mudanças nos hábitos intestinais, sangramento retal, dor abdominal, fraqueza e perda de peso inexplicada”, resume o cirurgião gastrointestinal.

Causas

De acordo com o cirurgião gastrointestinal, uma dieta pobre em frutas, vegetais, carnes magras, combinada com o consumo excessivo de carnes vermelhas e/ou processadas, pode aumentar o risco de desenvolvimento do câncer colorretal.

Além disso, hábitos como o consumo excessivo de álcool, tabagismo e o uso regular de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides também estão associados a um maior risco dessa doença.

No entanto, o Dr. Nacif enfatiza que, embora diversos fatores possam aumentar a probabilidade de desenvolver a doença, ainda não se conhece completamente suas causas específicas. Ele ressalta que os tumores na região geralmente se desenvolvem a partir de mutações genéticas que ocorrem em pólipos, lesões benignas do intestino.

Como é feito o diagnóstico

“O diagnóstico precoce da doença pode ser alcançado através da realização de uma investigação minuciosa, utilizando exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos. No caso específico do câncer colorretal, o rastreamento pode ser conduzido através de dois principais exames: pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopia)”, explica o médico.

Câncer de intestino tem cura? Qual é o tratamento?

Segundo Nacif, a identificação precoce do tumor é fundamental, pois aumenta consideravelmente a eficácia do tratamento, alcançando taxas de cura acima de 90%.

“Portanto, não se deve nunca negligenciar sinais suspeitos, mas sim buscar avaliação médica especializada”, resume.

Quanto ao tratamento, o médico explica que varia de acordo com o estágio do tumor. Geralmente, a cirurgia é realizada para remover as partes do intestino afetadas pelo câncer.

Em estágios mais avançados, a quimioterapia e a radioterapia podem ser necessárias.

Em situações onde o câncer está avançando e crescendo rapidamente, tanto a radioterapia quanto a quimioterapia podem ser utilizadas para controlar o crescimento tumoral.

Por fim, Lucas Nacif ressalta a importância de exames periódicos principalmente em pessoas que já tiveram casos de incidência na família (pela hereditariedade) e após os 40 anos para pessoas saudáveis.

“A prevenção sempre será o melhor remédio, somado a uma alimentação equilibrada e vida saudável com atividade física”.

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