Nos tempos de escola, Mara (nome fictício) não enfrentou grandes dificuldades. Ela ia bem nas aulas, e as provas não eram um problema. As coisas só começaram a complicar quando entrou na faculdade. “Enquanto meus colegas estudavam diligentemente na biblioteca, eu me distraía facilmente com o celular.”
Por um tempo, ela conseguiu levar bem a situação, mas, à medida que seus colegas começaram a ser formar e Mara ainda lutava para manter o foco e a organização, a ficha caiu: “Ok, tem algo errado aqui.”
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O diagnóstico veio de forma indireta. Após um episódio depressivo e vários tratamentos malsucedidos com diferentes medicamentos, sua psiquiatra sugeriu que ela também fizesse o teste para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Bingo. “Foi como se alguém tivesse aberto meus olhos”, diz Mara. Ela tinha pouco mais de 20 anos na época.
Mara enfim entendeu que muito do que via como fracasso pessoal não era culpa dela. “Percebi que não se devia ao fato de eu não me esforçar o suficiente, mas de minha cabeça funcionar de uma maneira diferente. E que eu enfrento obstáculos que outras pessoas não precisam superar.”
Mara não está sozinha. Cada vez mais pessoas recebem o diagnóstico apenas na idade adulta.
TDAH em adultos: os números estão aumentando?
Estudos epidemiológicos de diversos países estimam que entre 2% e 3% dos adultos tenham TDAH. Na Alemanha, porém, dados de planos de saúde apontam para uma incidência significativamente menor, de 0,2% a 0,4%.


