Em que idade começa a diminuir a fertilidade do homem? O que dizem os especialistas sobre o ‘relógio biológico’ e a qualidade do esperma


A fertilidade masculina também é condicionada pela passagem do tempo. Foi o que explicou a médica Carolina Monedero, responsável pela clínica de reprodução assistida Ginemed Málaga, que destacou que o envelhecimento do homem está associado a uma perda gradual da qualidade do esperma, à redução da capacidade reprodutiva e a um maior risco de alterações genéticas na descendência. Essas conclusões se apoiam nas evidências científicas acumuladas nos últimos anos.

Leia mais:

Novo remédio para Alzheimer aprovado pela Anvisa: para quem é indicado?

Durante anos pensamos que a idade do homem não afetava sua fertilidade, mas as evidências atuais afirmam justamente o contrário — declara a especialista.

De acordo com Monedero, a passagem do tempo impacta diretamente parâmetros-chave do sêmen, como a mobilidade e a forma dos espermatozoides, além de aumentar os danos no DNA espermático. Essas alterações influenciam negativamente os tratamentos de reprodução assistida, ao reduzir as taxas de fecundação e de gravidez.

Mudanças na qualidade seminal e fatores que influenciam

Os especialistas indicam que a diminuição relevante da qualidade seminal costuma tornar-se visível a partir dos 40 anos, embora, em determinados casos, possa se iniciar por volta dos 30. No entanto, a idade não é o único elemento que condiciona a fertilidade do homem.

Diversos fatores externos podem deteriorar a saúde reprodutiva masculina. Entre eles estão a exposição a substâncias tóxicas como pesticidas, metais pesados ou certos fármacos, assim como o consumo de tabaco, álcool e outras drogas. A isso se somam o estresse prolongado, o sedentarismo, uma dieta desequilibrada, a obesidade e algumas alterações hormonais, que podem afetar a função testicular e a produção de espermatozoides.

—Adotar hábitos de vida saudáveis e reduzir a exposição a tóxicos é fundamental para manter a fertilidade por mais tempo — acrescenta Monedero.

A especialista recomendou uma alimentação variada, rica em frutas, verduras e antioxidantes, a prática regular de exercícios e a evitação do tabaco, do álcool e das drogas. Também destacou a importância de controlar o estresse, manter um peso adequado e evitar o excesso de calor na região genital como medidas simples e eficazes.

Criopreservação do sêmen como estratégia de preservação

Diante da presença de múltiplos fatores que podem comprometer a fertilidade masculina, os especialistas indicam que a criopreservação do sêmen se tornou a alternativa mais utilizada e eficaz para conservá-la. Essa técnica consiste em congelar amostras seminais em bancos especializados por meio de nitrogênio líquido a −196 °C, o que permite preservar sua viabilidade e capacidade reprodutiva por longos períodos.

Conhecer as diferentes opções de preservação facilita a tomada de decisões antecipadas, já que a proteção da fertilidade está relacionada tanto ao planejamento reprodutivo quanto ao cuidado integral da saúde ao longo da vida.

Nesse âmbito, a revista MedRxi informou sobre um procedimento experimental baseado no uso de células-tronco do esperma para recuperar a fertilidade em um paciente jovem. A técnica, projetada para neutralizar os efeitos de tratamentos gonadotóxicos, envolve a extração e o congelamento de tecido testicular antes do tratamento oncológico, seguidos da reimplantação das células-tronco após superado o risco, com o objetivo de reativar a espermatogênese.

Embora até o momento não tenham sido registrados nascimentos em humanos por meio desse tipo de transplante, os resultados em modelos animais têm sido encorajadores e respaldam sua viabilidade. Nesse contexto, a especialista concluiu que “se essas técnicas se consolidarem, poderão oferecer uma esperança real a crianças e jovens que perdem sua fertilidade em razão de tratamentos médicos”.

Fonte: Jornal O Globo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *