Limerência: o sentimento por vezes confundido com a paixão, mas que se aproxima da obsessão e pode ser perigoso


O neurocientista Tom Bellamy vivia em um casamento feliz, até desenvolver sentimentos por sua colega de trabalho.

Ele amava sua esposa e não queria iniciar um relacionamento amoroso com a colega, nem expressou a ela seus sentimentos. Ainda assim, ele não conseguia parar de pensar nela.

Pode parecer um crush, mas Bellamy usa outra palavra para definir a situação: limerência.

Cunhada como termo da psicologia nos anos 1970, a limerência é uma conexão intensa, desgastante e, muitas vezes, obsessiva a outra pessoa, diferente de outros sentimentos amorosos, segundo Bellamy e outros pesquisadores.

“A limerência é mais bem descrita como um estado de espírito alterado”, explica ele.

No começo, parece fantástico, segundo o cientista. Bellamy descreve a limerência como uma euforia natural, que aumenta a energia e o otimismo.

“Por isso você se vicia. Seus pensamentos voam e você simplesmente se sente mais otimista e eufórico”, afirma ele.

O Google Trends indica que o interesse mundial pela limerência na internet vem aumentando desde 2020.

Houve também um aumento do material sobre a limerência disponível online, como discussões e blogs que lidam com a questão de quando e por que o amor pode se tornar obsessivo e o que as pessoas afetadas podem fazer a respeito.

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“A limerência é algo que acontece conosco”, de forma que pode ser involuntária, afirma a psicóloga Dorothy Tennov (1928-2007). Ela cunhou o termo no seu livro de 1979, Love and Limerence: The Experience of Being in Love (“Amor e Limerência: A Experiência de Amar”, em tradução livre).

Depois de realizar mais de 300 entrevistas sobre o amor romântico, Tennov identificou um fenômeno que, até então, aparentemente não tinha denominação: um desejo involuntário, intrusivo e irresistível por outra pessoa.

Nas pesquisas psicológicas, essa pessoa, a obsessão, é conhecida como objeto limerente.

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