UFRN busca voluntários para estudo sobre novos tratamentos para dor pós-chikungunya


A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) está recrutando voluntários para uma pesquisa que busca compreender e tratar melhor as dores crônicas causadas pela chikungunya. O estudo, conduzido pelo Departamento de Fisioterapia (DFST)  do Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFRN), investiga os chamados mecanismos centrais de controle da dor, que são processos do cérebro responsáveis por modular a intensidade da dor percebida pelo corpo.

Coordenada pelo professor Rodrigo Pegado, a pesquisa é desenvolvida em parceria com a Harvard Medical School, nos Estados Unidos, e também o Instituto Santos Dumont (ISD), pretendendo contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para pacientes que sofrem com dores articulares persistentes após a fase aguda da doença.

Segundo o docente, a iniciativa surgiu da demanda clínica observada principalmente no Nordeste, região endêmica para arboviroses. “Existe um número crescente de pacientes que evoluem da fase aguda para a fase crônica da chikungunya, permanecendo com dores articulares por meses ou até anos. E ainda há poucas pesquisas voltadas para reabilitação desses casos”, explica.

Entendendo a dor crônica 

O estudo parte da hipótese de que pacientes com dor crônica causada pela chikungunya apresentem alterações nos mecanismos cerebrais responsáveis por controlar a dor. Mas, em pessoas saudáveis, o cérebro consegue modular e até inibir a dor. Já em casos crônicos, esse sistema pode estar comprometido. Para investigar essas variações, os voluntários passam por avaliações com técnicas como eletroencefalografia e testes físicos simples, a exemplo da imersão da mão em água gelada, que permite medir a resposta do organismo à dor.

Como participar 

Podem participar homens e mulheres entre 18 e 70 anos que já tiveram chikungunya e apresentam dores articulares há pelo menos três meses. Não podem colaborar pessoas com doenças neurológicas, como Alzheimer, Parkinson, esclerose ou histórico de Acidente Vascular Cerebral (AVC), nem gestantes.  A iniciativa é gratuita e os interessados devem preencher um formulário on-line e, após o contato da equipe, passarão por uma avaliação inicial para análise do histórico clínico. Os atendimentos são realizados no Departamento de Fisioterapia (DFST) da UFRN.

Parceria internacional e intercâmbio

A colaboração com a Harvard Medical School surgiu durante o pós-doutorado de Rodrigo Pegado nos Estados Unidos, onde trabalhou com o professor Felipe Fregni. A parceria prevê intercâmbio científico entre as instituições, com a vinda de pesquisadores estrangeiros a Natal e o envio de estudantes da UFRN para centros de pesquisa em Boston.

A iniciativa também fortalece a internacionalização da Universidade, colaborando para as metas do Plano de Gestão 2023-2027 da UFRN, sobretudo no índice de mobilidade internacional docente (indicador 12), e amplia a produção científica sobre doenças que afetam principalmente os países do sul global.

De acordo com o coordenador, os resultados podem abrir caminho para novas abordagens terapêuticas. “Hoje, o tratamento é semelhante ao de outras artrites, mas, ao identificar alterações no sistema nervoso central, podemos propor terapias como estimulação magnética ou elétrica transcraniana, que atuam diretamente no cérebro”, destaca.

Além da pesquisa clínica, os participantes também terão acesso a sessões de reabilitação com exercícios terapêuticos, incluindo pilates no solo, realizadas no próprio departamento.

Para os pesquisadores, o envolvimento da população é essencial para o avanço do conhecimento científico. “Essas pessoas contribuem diretamente para a compreensão da doença e ajudam no desenvolvimento de estratégias para prevenir a cronificação da dor”, reforça Rodrigo Pegado.

As inscrições seguem abertas até dezembro. Mais informações podem ser obtidas por meio dos canais de divulgação da pesquisa.

Fonte: Agecom/UFRN; Texto: Fabrício Brasiliano; Edição: Maralice Freitas; Revisão: Rebeca Ribeiro.

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