Estudante morre após médicos confundirem câncer com infecção comum


Zac Summers-Cameron, estudante britânico de 22 anos, morreu após meses enfrentando um câncer de testículo que, no início, foi confundido com uma infecção.

Segundo o relato da família publicado em um site de campanha online, o jovem procurou atendimento médico ao apresentar dores e inchaço na região íntima, além de dores no abdômen. Na ocasião, ele foi orientado a voltar para casa com a indicação de que se tratava de uma infecção não detalhada e aparentemente simples — quadro relativamente comum entre jovens.

Com o passar do tempo, no entanto, os sintomas não melhoraram. Pelo contrário, evoluíram, até que exames mais específicos revelaram o diagnóstico de câncer testicular em setembro de 2024.

Quando a doença foi identificada corretamente, já estava em estágio mais avançado, o que dificultou o tratamento. De acordo com informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), esse tipo de situação não é incomum. O câncer de testículo, apesar de raro, é o mais frequente entre homens jovens, especialmente entre 15 e 50 anos.

Nessa faixa etária, os sintomas iniciais podem ser confundidos com condições inflamatórias, como a orquiepididimite — inflamação dos testículos e dos epidídimos, geralmente associada a infecções sexualmente transmissíveis.

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Essa semelhança pode atrasar o diagnóstico correto, principalmente quando não há investigação mais aprofundada ou quando os sintomas persistem mesmo após o tratamento inicial.

O que é o câncer de testículo

O câncer de testículo representa cerca de 5% dos casos de câncer entre homens, segundo o Inca. Apesar disso, é considerado um dos tumores com maior chance de cura, especialmente quando descoberto cedo.

A doença se desenvolve, na maioria das vezes, a partir das células que produzem os espermatozoides. Ela pode evoluir de forma silenciosa ou com sinais pouco específicos no início.

Sintomas  de câncer no testículo

  • Caroço ou aumento de volume em um dos testículos;
  • Sensação de peso ou desconforto na bolsa escrotal;
  • Dor leve ou desconforto persistente na região;
  • Inchaço ou acúmulo de líquido no escroto.

Segundo especialistas, qualquer alteração que persista por mais de alguns dias deve ser avaliada por um médico. No caso de Zac, após descobrir o câncer, ele passou por tratamentos como quimioterapia em altas doses e transplantes de células-tronco, mas faleceu em novembro de 2025.

O caso do estudante só reforça que o câncer de testículo tem baixa taxa de mortalidade quando diagnosticado cedo, mas pode se tornar grave se houver atraso na identificação.

Exames clínicos, ultrassonografia e avaliação especializada são fundamentais para diferenciar tumores de infecções comuns. Em muitos casos, a investigação precoce permite tratamentos menos agressivos e maiores chances de cura.

Sintomas persistentes não devem ser ignorados. Buscar uma segunda avaliação médica pode ser decisivo para um diagnóstico correto — e, em muitos casos, para salvar vidas.

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