Conforme mostrou o resultado, a solidão esteve associada ao aumento do risco de doença valvar cardíaca. A percepção subjetiva de desconexão pareceu ter mais peso do que a quantidade de interações sociais.
Na comparação entre os grupos, participantes com maior nível de solidão apresentaram risco 19% maior de desenvolver a doença. Quando analisados os subtipos, o risco foi 21% maior para estenose aórtica e 23% maior para regurgitação mitral. O isolamento social, por outro lado, não mostrou associação significativa com o aumento do risco.

Genética não anulou o efeito
O estudo também avaliou a predisposição genética para doença cardiovascular. A associação entre solidão e doença valvar permaneceu mesmo após esse ajuste.
O cenário mais desfavorável foi observado entre pessoas que combinavam alto risco genético e altos níveis de solidão, indicando que os fatores podem se somar.
Os autores identificaram que participantes mais solitários também apresentavam, com mais frequência, hábitos menos saudáveis. Esses fatores ajudaram a explicar parte da associação observada.
Além disso, a solidão pode estar ligada a maior estresse crônico, que afeta processos inflamatórios e cardiovasculares ao longo do tempo. Como o estudo é observacional, não é possível afirmar causa e efeito, apenas associação.
Hábitos ligados à relação entre solidão e coração
Segundo o estudo, alguns comportamentos podem contribuir para a associação entre solidão e doença valvar cardíaca:
- Obesidade;
- Tabagismo;
- Consumo excessivo de álcool;
- Sono inadequado;
- Baixa prática de atividade física;
- Alimentação de pior qualidade.
Apesar das limitações, como a avaliação da solidão em um único momento, o trabalho reforça que a saúde do coração vai além dos fatores tradicionais.
Os resultados sugerem que a forma como uma pessoa se sente em relação às próprias conexões sociais pode influenciar o risco cardiovascular ao longo da vida. Isso amplia o olhar sobre prevenção, que passa a incluir não apenas hábitos físicos, mas também aspectos emocionais e sociais.
Fonte: Metrópoles.