Cigarro eletrônico avança entre jovens, acelera a dependência e antecipa doenças graves, especialistas já falam em uma geração sob risco
Sem cheiro forte, com sabores atrativos e aparência tecnológica, o cigarro eletrônico se consolidou como símbolo de uma nova geração. Mas, por trás do design moderno, especialistas identificam um problema antigo com consequências ainda mais rápidas: o avanço do tabagismo entre jovens, agora impulsionado por altas doses de nicotina e substâncias tóxicas.
A promessa de uma alternativa “menos nociva” ao cigarro tradicional ajudou a impulsionar o uso dos dispositivos eletrônicos para fumar. Na prática, porém, o que se observa nos consultórios é um cenário oposto. Pneumologistas relatam o aumento de casos graves em pacientes cada vez mais jovens, alguns ainda na pré adolescência.
“Hoje atendemos crianças com sinais de inflamação pulmonar difusa. Isso é algo recente e extremamente preocupante”, afirma a pneumologista Suzianne Lima. Segundo ela, o problema vai além da via respiratória: “Estamos falando de um impacto sistêmico, com registros de convulsões, lesões no esôfago e comprometimentos severos do organismo” .
Ao contrário do que sugere o termo vapor, o que o usuário inala é um aerossol aquecido a altas temperaturas, cerca de 350 graus Celsius, carregado de substâncias químicas. Entre elas estão compostos potencialmente cancerígenos, metais pesados e solventes industriais. “Não são elementos feitos para serem inalados. E, ainda assim, estão sendo consumidos diariamente”, explica a especialista.

Outro ponto crítico é a nicotina. Nas versões mais recentes, ela aparece na forma de sal de nicotina, que facilita a absorção pelo organismo e acelera a dependência. Em poucos segundos, a substância atinge o cérebro e desencadeia a liberação de dopamina, associada à sensação de prazer. Quando o efeito passa, surgem sintomas como ansiedade e irritação, o que estimula o consumo contínuo.
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Esse mecanismo ajuda a explicar por que o cigarro eletrônico pode ser ainda mais viciante que o convencional. E há um agravante: a percepção de risco é menor. Sem o cheiro característico e com embalagens que remetem a doces ou perfumes, o produto se infiltra no cotidiano, inclusive dentro de casas, carros e escolas.
O resultado é uma exposição ampliada, inclusive para não usuários. “O fumante passivo também é afetado, muitas vezes sem perceber”, alerta Suzianne.

Apesar do avanço do problema, há caminhos possíveis. O tratamento envolve acompanhamento médico, terapias de reposição de nicotina e, em alguns casos, medicação específica. Mas a adesão depende de um fator decisivo: a conscientização.
“A dependência é uma doença. Não se trata de falta de caráter ou disciplina, mas o primeiro passo é reconhecer o risco”, afirma.
Diante da popularização acelerada do vape, especialistas defendem que o enfrentamento passa por informação de qualidade, diálogo familiar e políticas públicas mais eficazes. Sem isso, o que hoje parece tendência pode se consolidar como uma das principais crises de saúde das próximas décadas.
O QUE HÁ POR TRÁS DO VAPOR
- Nicotina em alta concentração, altamente viciante
- Substâncias cancerígenas
- Metais pesados como níquel e cromo
- Compostos presentes em combustíveis
- Solventes industriais

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