A incorporação recente da vacina pneumocócica 20-valente (VPC20) ao Calendário Nacional de Vacinação amplia a proteção contra doenças graves causadas pela bactéria pneumococo, como pneumonia, meningite e infecções invasivas. A mudança começa a ser implementada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda este mês e expande o acesso para pessoas com doenças que aumentam o risco de complicações.
A nova vacina já estava disponível na rede particular desde junho de 2024 e substitui a pneumocócica 10-valente utilizada até o mês passado na rede pública.
Com a atualização, a proteção passa a abranger 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, o dobro da cobertura anterior. Além disso, ela aumenta de 3% para 77% a proteção contra as variantes mais associadas a quadros severos em menores de 5 anos.

A expectativa é imunizar cerca de 2,4 milhões de bebês por ano, fortalecendo a proteção desde os primeiros meses de vida.
“A distribuição das primeiras 514 mil doses já começou, e o início da estratégia de vacinação está previsto para a próxima semana, à medida que os estados começarem a enviar as doses aos municípios. A previsão é disponibilizar mais de 4,5 milhões de doses até o fim de junho”, detalhou o Ministério da Saúde.
O imunizante será aplicado no SUS em:
- crianças menores de 5 anos
- crianças a partir de 2 anos com condições clínicas especiais
- idosos a partir de 60 anos ou em situação de institucionalização
- povos indígenas a partir de 5 anos de idade (sem histórico vacinal)
O esquema vacinal é composto de:
- 1 dose aos 2 meses de idade
- 2 doses aos 4 meses de idade
- Reforço aos 12 meses
- Nos idosos, dose única
O início da estratégia está previsto para a próxima semana, à medida que os estados começarem a enviar as doses aos municípios.
O que muda com a nova vacina
A VPC20 passa a integrar o calendário infantil do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e também a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE).
Segundo a Pfizer, fabricante da vacina, um dos principais avanços é a inclusão dos sorotipos 19A e 3, apontados como os mais circulantes no país e associados à maior parte dos casos de doença pneumocócica invasiva.
Como a nova vacina, além dos dez sorotipos da anterior, há a inclusão desses dois principais (19A e 3) e mais oito, totalizando 20.
Esses outros oito sorotipos contemplados estão relacionados ao aumento da resistência a antibióticos e ao potencial de causar infecções invasivas, incluindo meningite, e estão associados à ocorrência de surtos na infância.
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O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, destaca que a resistência antimicrobiana é cada vez mais ampla em todo o mundo e é um problema de saúde pública. “A relevância desses dois sorotipos (19A e 3) vai depender da faixa etária, mas há possibilidade de aumento de proteção de até 50% só para esses dois tipos”, afirma.
A vacina também inclui cinco sorotipos exclusivos ligados a quadros graves que não estão contemplados em nenhuma outra vacina pneumocócica conjugada disponível atualmente no Brasil.
“A mudança para 20 é muito bem-vinda. Nós tínhamos várias comorbidades que não tinham direito a vacina 13 e agora elas vão ter direito a vacina 20, independentemente do tipo de comorbidade que a pessoa tem. Isso vai possibilitar uma diminuição do impacto da doença na criança e também em outras pessoas que vão ter a oportunidade de se vacinar”, acrescenta Cunha.
Cobertura contra formas graves aumenta
De acordo com a fabricante, a mudança amplia de forma significativa a proteção contra os sorotipos mais associados às formas graves da doença em crianças menores de 5 anos.


