Diretriz dos EUA traz orientações inéditas para reconhecer e tratar rapidamente
o AVC pediátrico, condição frequentemente subdiagnosticada
Por Gabriela Cupani, da Agência Einstein
As novas diretrizes dos Estados Unidos para tratamento de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico trazem, pela primeira vez, recomendações específicas para crianças. Elaboradas pela American Heart Association e pela American Stroke Association, elas destacam o reconhecimento rápido dos sintomas e a importância dos exames de imagem, além de estabelecerem critérios para tratamento em pacientes pediátricos.

O objetivo é acelerar o diagnóstico e o tratamento para reduzir o risco de sequelas. Embora mais raro, crianças também podem ter um AVC e, nelas, o evento está associado a problemas como malformação de vasos cerebrais, doenças cardiovasculares ou autoimunes, traumas, entre outros.
“As recomendações pediátricas desta diretriz representam um avanço importante, porque reconhecem formalmente que crianças também têm AVC e que o atraso no diagnóstico continua sendo um dos principais obstáculos”, avalia a neurologista Gisele Sampaio, do Einstein Hospital Israelita. “É um grande passo para padronizar decisões que antes dependiam de extrapolação da literatura adulta e de julgamento individual.”
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Um acidente vascular cerebral pode ocorrer pelo bloqueio da circulação sanguínea no cérebro (AVC isquêmico) ou pelo extravasamento de sangue (hemorrágico). Em qualquer caso, cada minuto faz diferença. O AVC provoca a morte de células, podendo deixar sequelas nos movimentos e na fala e até levar a óbito.
Entre os principais sintomas, o documento destaca cefaleia súbita intensa com vômitos, sonolência ou convulsão, alteração visual e problemas de coordenação motora (ataxia). Também valem os sinais clássicos do protocolo FAST (da sigla em inglês Face, Arms, Speech, Time), que avalia a presença de assimetria na face, fraqueza em um dos braços e dificuldade de fala. Diante de qualquer um deles, é preciso buscar atendimento imediatamente.
Novos critérios para tratamento
A diretriz descreve critérios para restabelecer o fluxo sanguíneo com medicamentos ou procedimentos para retirar os trombos, estabelecendo prazos para uso de medicamentos a partir de 28 dias de vida e a possibilidade de trombectomia mecânica (a retirada do coágulo via cateter) em crianças com mais de 6 anos.
O documento reconhece que escalas de triagem criadas para adultos não distinguem bem o AVC pediátrico, que pode ser confundido com outros distúrbios, como enxaqueca, epilepsia, trauma e tumores.

Para Sampaio, um ponto positivo é a ênfase em exames de neuroimagem rápida, preferencialmente a ressonância magnética e a angiorressonância, que analisa veias e artérias. “Isso ajuda a afastar a possibilidade de outras doenças que podem apresentar sintomas similares e a diferenciar AVC isquêmico, hemorragia e outras causas”, explica a neurologista.
No caso de adultos, a nova diretriz também estabelece critérios mais amplos sobre quem pode receber o tratamento nas primeiras 24 horas, incluindo alguns casos antes considerados inelegíveis.
Fonte: Agência Einstein


