Canetas emagrecedoras e bariátrica: por que não existe guerra no tratamento da obesidade


Dra. Flora Bandeira e Dr. Nelson Santos Neto explicam por que medicações e cirurgia se complementam no combate a uma doença crônica e multifatorial.

Desde a popularização das novas canetas para emagrecimento, uma dúvida ganhou força entre pacientes: a cirurgia bariátrica está perdendo espaço? Para a endocrinologista Dra. Flora Bandeira e o cirurgião bariátrico Dr. ESCANEIE O QRCODE E ASSISTA AO PODCAST Nelson Santos Neto, a resposta é clara: não. O que mudou foi o aumento das possibilidades de tratamento. Em vez de disputa, há complementaridade no enfrentamento da obesidade, uma doença séria, progressiva e capaz de afetar todo o organismo.

UM INIMIGO EM COMUM

Dr. Nelson Santos Neto costuma usar uma metáfora direta para explicar o cenário atual:

“Nós estamos do mesmo lado. A diferença é que nós temos armas diferentes para combater o inimigo.” Para ele, a obesidade é uma doença “mortal e ardilosa”, que exige múltiplas estratégias. Dra. Flora Bandeira reforça que não existe uma ordem fi xa de tratamento. “A cirurgia não é necessariamente a última opção. Vai depender do contexto clínico, social e até cognitivo do paciente”, afi rma. Segundo ela, cada caso precisa ser avaliado de forma individualizada.

O IMPACTO DAS NOVAS MEDICAÇÕES

A chegada das canetas trouxe avanços importantes, mas não substituiu a cirurgia. “Agora, a gente avança ainda mais no tratamento”, explica Dra. Flora Bandeira. Ela destaca que as medicações ampliaram o acesso ao tratamento não invasivo e também ajudam a preparar pacientes para procedimentos cirúrgicos quando necessário. Dr. Nelson concorda, mas faz um alerta sobre expectativas irreais. “As medicações são excelentes. Mas o fi m da cirurgia só vai acontecer quando existir um remédio efi caz, acessível e que funcione para sempre”, diz. Ele chama atenção para um ponto crucial: a manutenção do peso. “O paciente precisa entender que não está comprando uma casa própria, está alugando. Se parar, pode recuperar o peso.”

QUANDO A CIRURGIA AINDA É ESSENCIAL

Mesmo com novas opções, a cirurgia bariátrica segue fundamental, especialmente em casos mais graves. Dra. Flora relata que muitos pacientes são preparados clinicamente antes do procedimento, o que melhora os resultados e a recuperação. Já Dr. Nelson enfatiza que o tratamento não termina na cirurgia. “Não existe nenhum tratamento para obesidade no mundo que não exija participação do paciente”, afi rma. Mudanças de estilo de vida continuam sendo indispensáveis. Em alguns casos, inclusive, o tratamento pode alternar entre cirurgia e medicação ao longo do tempo.

INFORMAÇÃO CORRETA FAZ DIFERENÇA

Para os especialistas, um dos maiores desafi os ainda é o acesso à informação de qualidade. A endocrinologista destaca a importância do acolhimento e da educação em saúde para reduzir o medo e o estigma. Já o cirurgião bariátrico alerta para o uso inadequado de medicações sem acompanhamento médico. “Fórmulas mágicas não existem”, afi rma. Ele critica práticas como o uso de receitas de terceiros e produtos sem procedência, que podem trazer riscos sérios à saúde.

No fim das contas, a principal mensagem é clara: não há disputa entre tratamentos, mas sim diferentes caminhos para um mesmo objetivo. “É uma opção a mais para combater essa doença”, resume Dra. Flora Bandeira. E, como reforça Dr. Nelson Santos Neto, ignorar a obesidade é o maior risco: “Ela mata todo dia, mas através de outras doenças.”

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