Dúvida da semana 🤷♀️
“Minha filha tem 12 anos e começou a pedir para fazer programas sozinha com os amigos, como ir ao shopping. Fico muito preocupada, não sei se devo deixar. Existe uma idade certa para isso?”
Eu me lembro da primeira vez que fui ao cinema com meus amigos. Eu tinha 12 anos, e minha mãe foi comigo até o shopping. Ela me deixou na porta para encontrar os outros pré-adolescentes e ficou circulando por ali. Depois, nos encontramos novamente.
Quando comecei a ir às aulas de inglês sem companhia, por exemplo, fazia o trajeto sabendo que ela estava alguns metros atrás, observando se eu faria o caminho certo! Depois de duas vezes, ela ganhou confiança. E eu passei a ir sozinha mesmo.
As especialistas que ouvimos nesta semana falam justamente sobre essa construção da autonomia e da confiança. E sobre os combinados e a conversa “olho no olho”, que são fundamentais. Veja também, ao final, indicações de apps de localização.
👩🏫 Palavra das especialistas
Roberta Machado Xavier
Psicóloga no Espaço Néctar – Psicologia da Infância
🧒 Aos 12 anos, já não estamos falando de uma criança pequena, mas também ainda não de um adolescente com plena consciência e capacidade de lidar com todos os riscos. É uma fase de transição, de conquistas e de construção de autonomia.
⏳ Não acredito que exista uma idade certa para começar a deixar um filho sair sozinho. Cada família tem seu contexto e cada criança tem um nível de maturidade. Em geral, por volta dos 13 ou 14 anos, já vemos mais crianças andando sozinhas, indo e voltando da escola, mas isso não significa que essa seja uma regra para todas.
🪴 A autonomia vai sendo construída aos poucos e começa muito antes de a criança pedir para sair sozinha.
🏃 Desde cedo, os pais podem permitir que ela faça aquilo que já é capaz de fazer sem ajuda: colocar a roupa no cesto, colocar a mesa, lavar uma louça, arrumar a cama, o quarto ou organizar a mochila. É dando espaço para que a criança faça sozinha aquilo que já consegue fazer que vamos dando potência a ela.
🔄 Por isso, acredito que a autonomia seja uma via de mão dupla. Os pais vão liberando aos poucos, a criança percebe que eles confiam nela e que é capaz, e isso também a potencializa. Ao mesmo tempo, ela vai demonstrando que já tem alguma capacidade e noção para que os pais possam dar um novo passo.
🎬 Quando chega a fase em que começa a pedir para sair sozinha, isso não significa que ela já tenha capacidade para qualquer situação. O ideal é começar aos poucos, em lugares mais controlados. Um shopping pode ser um bom exemplo: combinar que ela vai ao cinema com os amigos, estabelecer o horário em que será buscada e deixar tudo muito claro. O que pode, o que não pode, onde vai estar e quem vai buscá-la são combinados importantes nessa fase.
💰 Também é preciso observar se algumas responsabilidades já foram ensinadas. Se a criança ainda não sabe usar dinheiro, por exemplo, não faz sentido simplesmente deixá-la sair sozinha. Ela precisa aprender a tirar o dinheiro do bolso com cuidado, pagar, conferir o troco. São pequenas coisas que fazem parte desse processo de construção da autonomia.
📱 Os aplicativos de localização podem trazer mais tranquilidade aos pais em relação à segurança. É fundamental, porém, que seu uso seja explicado à criança ou pré-adolescente, para que entendam que se trata de uma ferramenta de proteção e confiança — especialmente aos 12 anos.
🛡️ Em uma situação em que o filho está sozinho, pode ser um recurso para que os pais tenham um controle um pouco maior e saibam onde ele está caso aconteça alguma coisa. Mas é uma ajuda, não é o que vai determinar se aquela criança está ou não preparada para sair sozinha.
🚶 Cada família vai percebendo quando seu filho demonstra condições de dar esse passo. O mais importante é entender que a autonomia não acontece de uma hora para outra: ela vai sendo construída desde cedo, com pequenas responsabilidades e, aos poucos, com novas conquistas.
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Fê Lopes
Psicóloga e psicanalista (@felopespsico)
🤝 Confiança não é acreditar que o adolescente nunca vai errar, e nem que você vai saber de tudo e cada passo. Confiança é assumir riscos. É um ato de fé. É construir uma relação na qual o erro e o frio na barriga vão existir sempre.


