Executamos movimentos na maioria das vezes quase sem pensar. Mas, antes do corpo responder, existe uma sequência de comandos que acontecem. Nosso cérebro é responsável por cada passo que damos e movimento que repetimos. Por isso, é quase impossível separar a saúde física da saúde mental.
Por muito tempo, dividimos as coisas e colocamos cada uma em uma gaveta. Quando se tratava de músculo ou atividade física, estávamos nos referindo ao corpo. Já quando falávamos de estresse, ansiedade, crises de pânico, nos referíamos à mente. Na verdade, na prática, essa divisão nunca existiu como falamos ou imaginamos. Afinal, é só observar o dia a dia: cabeça cheia, o corpo parece cansado. Dormir mal é quase certeza de acordar com a disposição lá para baixo. Já passar muito tempo sem se movimentar costuma trazer a piora do condicionamento físico e da energia para enfrentar a rotina. O que a mente sente, de alguma maneira, o corpo acompanha.
Nesse sentido, a atividade física pode ser uma ferramenta capaz de fazer parte da engrenagem principal do nosso corpo. Por trás de cada movimento, há uma integração entre cérebro, coordenação, equilíbrio, metabolismo e variadas funções no organismo.
Com a chegada do mês de setembro, é natural falarmos mais sobre a saúde mental. Mas por que não atrelar uma coisa a outra? Entendo que atividade física não substitui tratamento psicológico e médico, porém é necessário abordar o quanto o exercício faz parte dos hábitos relacionados à saúde e bem-estar.
Trabalhando com atividade física, uma das coisas que mais aprendi foi que as pessoas nunca chegam para treinar carregando só o próprio corpo. Elas chegam depois de um dia de trabalho, depois de uma noite mal dormida, preocupadas com os filhos, pressionadas profissionalmente. Na mente, não existe um botão de desligar no momento em que chegamos à academia.
Por isso, é importante ver primeiro a pessoa por trás daquele treino. Existem dias de avançar, dias de manter e dias em que apenas conseguir se movimentar já é um grande avanço.
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Essa percepção se torna ainda mais importante à medida que envelhecemos. Quando somos mais novos, existe uma tendência de confiar que o corpo continuará respondendo simplesmente porque sempre respondeu. A mente diz “vamos” e ele vai. Mas existe uma diferença entre desejar executar determinado movimento e ter capacidade física para realizá-lo. Se não preservamos ao longo dos anos músculos e condicionamento físico, surge a distância entre o que a cabeça ainda quer fazer e aquilo que o corpo consegue entregar.
Ao mesmo tempo, existe outro lado dessa relação. Não precisamos esperar que a mente esteja sempre motivada para cuidar do corpo. Essa é uma das maiores armadilhas quando falamos sobre atividade física. Se dependêssemos de vontade, provavelmente abandonaríamos muitos hábitos necessários. Até porque a motivação oscila.


