Retatrutida mais que dobra perda de peso do Ozempic em novo estudo, diz farmacêutica


A retatrutida, novo medicamento da classe que ficou conhecida como “canetas emagrecedoras”, mais que dobrou a perda de peso obtida com o Ozempic entre pacientes com diabetes tipo 2, anunciou a farmacêutica Eli Lilly nesta quarta-feira. O fármaco ainda está em fase final de testes para garantir a sua eficácia e segurança e, por isso, não foi aprovado para uso em nenhum país, inclusive no Brasil.

No novo estudo, após 80 semanas de tratamento, a retatrutida proporcionou uma perda de peso média de 20,9% na dose mais alta. Enquanto isso, o Ozempic, da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, reduziu o número da balança em aproximadamente 9,4% na dosagem mais alta aprovada para tratar o diabetes tipo 2.

Os resultados anunciados são referentes ao estudo TRANSCEND-T2D-2, um dos muitos de fase 3, a última etapa dos ensaios clínicos antes de um pedido de aprovação, que vêm sendo conduzidos pela Eli Lilly. Segundo o laboratório, responsável também pelo Mounjaro, os novos dados serão apresentados em um futuro congresso médico e publicados em uma revista científica.

No TRANSCEND-T2D-2, 1.298 adultos com diabetes tipo 2 foram divididos em três grupos. Um recebeu o Ozempic na dosagem mais alta aprovada para pacientes com diabetes, de 2 mg. Os outros dois receberam, cada um, uma das duas dosagens mais elevadas da retatrutida, de 9mg ou 12 mg. Ambos os medicamentos são aplicados por meio de uma injeção semanal.

Injeção

O objetivo principal era avaliar se a retatrutida conseguia reduzir a hemoglobina glicada (A1c) pelo menos com a mesma eficácia que o Ozempic. O indicador é utilizado para identificar os níveis de glicose (açúcar) no sangue ao medir a proporção de hemoglobina ligada à glicose em circulação na corrente sanguínea, algo extremamente importante para pacientes com diabetes.

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Depois de cerca de um ano e meio de acompanhamento, a hemoglobina glicada dos pacientes que receberam o Ozempic caiu cerca de 1,8%. Já aqueles que receberam a retatrutida, tanto no grupo de 9 mg, quanto no de 12 mg, tiveram uma redução de 2,2%.

Perda de peso mais que dobra

Os responsáveis pelo estudo decidiram avaliar também a alteração do peso no período, já que a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, também é aprovada para tratamento da obesidade, e a retatrutida também está sendo estudada com essa finalidade. Eles constataram que a diminuição foi de 9,4% entre os que receberam Ozempic, 19,5% entre os que receberam 9 mg de retatrutida e chegou a 20,9%, mais que o dobro do primeiro grupo, entre os que receberam 12 mg do novo medicamento.

Em maio, a Eli Lilly já havia divulgado resultados positivos de um outro estudo de fase 3 da retatrutida conduzido apenas com pacientes com obesidade ou sobrepeso e uma comorbidade associada ao peso, o TRIUMPH-1, focado em avaliar o emagrecimento.

Após 80 semanas, aqueles que receberam a dose mais alta, de 12 mg, tiveram uma perda média de 28,3% do peso, quase o observado com a cirurgia bariátrica. Com o Mounjaro, por exemplo, outro estudo, o SURMOUNT-1, indicou uma perda de peso de aproximadamente 20,9% após 72 semanas.

Os novos resultados divulgados nesta quarta-feira, porém, são os primeiros de um estudo feito para comparar diretamente o desempenho da retatrutida com outra “caneta emagrecedora”, nesse caso o Ozempic. A Eli Lilly também conduz um ensaio do tipo, chamado TRIUMPH-5, comparando diretamente com o Mounjaro, ainda sem dados disponíveis.

“Ensaios clínicos comparativos mostram a pacientes e médicos como um possível novo medicamento se compara aos tratamentos atualmente disponíveis”, diz Kenneth Custer, vice-presidente executivo e presidente da área de saúde cardiometabólica da Lilly, em nota.

“Com base nesses resultados e nos dados de todo o nosso programa de fase 3, acreditamos que a retatrutida, se aprovada, poderá transformar a abordagem terapêutica para pessoas com diabetes tipo 2, obesidade e condições cardiometabólicas relacionadas”, complementa.

Em relação à segurança, os efeitos adversos mais comuns foram diarreia, náusea, constipação, vômitos e indigestão, com frequência semelhante à observada com o Ozempic e com outros fármacos dessa classe de medicamentos.

Segundo a fabricante, a maioria foi de intensidade leve a moderada e, em geral, desapareceu durante o tratamento. As taxas de interrupção do tratamento devido a eventos adversos foram de 4,8% com a retatrutida de 9 mg, 7,9% com a retatrutida de 12 mg e 2,7% com o Ozempic.

O que é a retatrutida?

A retatrutida é considerada uma nova geração dos fármacos antiobesidade. A molécula faz parte dos análogos de GLP-1, classe de medicamentos que simula a ação do hormônio GLP-1 no corpo. No pâncreas, essa interação estimula a produção de insulina. Já no estômago, reduz a velocidade da digestão da comida e, no cérebro, ativa a sensação de saciedade.

Um dos remédios mais famosos desse grupo é a semaglutida, do Ozempic e do Wegovy, desenvolvido pela farmacêutica Novo Nordisk. Em seguida, veio a tirzepatida, do Mounjaro, que tinha o diferencial de ser um duplo análogo, simulando não só o GLP-1, como também um outro hormônio intestinal chamado GIP.

Agora, a retatrutida é uma geração ainda mais avançada por ser um triplo agonista: além do GLP-1 e do GIP, simula também o hormônio glucagon. Com isso, o efeito na perda de peso é maior do que o de seus antecessores. No TRIUMPH-1, quase metade dos participantes que receberam a maior dose atingiram perdas de 30% ou mais, equivalente a uma cirurgia bariátrica.

Fonte: Jornal O Globo. 

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