A convulsão sofrida por Henri Castelli durante a Prova do Líder do “BBB 26”, exibida ao vivo, acendeu um alerta médico dentro e fora da casa.
Você já parou para analisar se a sua relação com a bebida alcoólica pode ser problemática? O ator Henri Castelli, que integra o BBB26, contou dentro da casa que começa o dia bebendo vinho.
“De manhã, pô, em jejum. (…) Enquanto eu vou tomando as minhas vitaminas que eu tomo de manhã, eu tomo vinho mesmo”, disse.
O ator afirmou que mantém o hábito, mas que não é alcoólico porque consegue ficar sem beber.
Segundo especialistas, um dos sinais de alerta é, justamente, a dificuldade de ficar sem consumir álcool. Se a pessoa não consegue ficar sem consumir, pensa em beber ao longo do dia e quando bebe sempre consome uma quantidade que a deixa embriagada, isso é um sinal de alerta.
Um exemplo é o Janeiro Seco, campanha em que as pessoas que aderem passam um mês sem beber. Se alguém não consegue atravessar um período como esse, pode ser um indicativo de que é preciso buscar ajuda especializada.
Se precisa de ajuda, pode procurar o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS) ou os Alcoólicos Anônimos.
O episódio, que interrompeu imediatamente a dinâmica da competição, é considerado uma emergência hospitalar e pode resultar na desclassificação do ator do reality, já que a prioridade, nesses casos, é a investigação clínica e o atendimento em ambiente hospitalar.
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Segundo o médico endocrinologista esportivo João Marcello Branco, episódios convulsivos podem acontecer mesmo em pessoas sem histórico prévio de epilepsia, especialmente quando o organismo é submetido a condições extremas, como ocorre frequentemente em provas de resistência e confinamento prolongado.
“É importante a gente falar o seguinte: todo mundo pode ter convulsão. O que depende, que isso é individual, é o limiar convulsivo. O que é isso? É a capacidade que o corpo tem, e isso é individual, de travar esse curto-circuito no cérebro que é a convulsão, falando de uma maneira mais popular”, explica o médico.
João Marcello destaca que fatores como estresse elevado, restrição alimentar e descarga intensa de adrenalina podem reduzir esse limiar convulsivo, favorecendo o surgimento de uma crise, mesmo em pessoas saudáveis.
“Em situações extremas, principalmente níveis de estresse muito alto e principalmente se a pessoa também está com restrição calórica energética, por exemplo, a hipoglicemia… Então é analisar a parte situacional ali naquele contexto, como nível de estresse elevado, restrição de comida, muita adrenalina. Esse limiar de suportar convulsão baixou e aí ele teve essa convulsão.”
O médico relembra ainda um caso emblemático do esporte mundial para ilustrar como o fator situacional pode ser determinante.
“Um caso muito famoso aconteceu com o Ronaldo Fenômeno na Copa do Mundo. Em nenhum outro momento foi relatado que o Ronaldo teve outra convulsão. Ali, naquele momento, a cobrança muito forte, o estresse muito alto, ele teve uma convulsão.”
No contexto do BBB, onde os participantes são submetidos a privação de sono, alimentação controlada e provas fisicamente extenuantes, a ocorrência de uma convulsão exige conduta imediata.
De acordo com João Marcelo Branco, não há margem para observação prolongada dentro do programa.
“E obviamente: uma convulsão aguda tem que ser investigada, tem que ser feito tomografia no cérebro e, principalmente, nos casos mais graves de convulsão, que são os que têm concussão cerebral, que é a pancada no cérebro, esses têm que ir diretamente pra emergência. Aliás, todos têm que ir pra urgência”, afirma.
Diante desse protocolo médico, a ida de Henri Castelli ao hospital se torna inevitável, o que pode inviabilizar sua permanência no reality.
Em situações como essa, a produção do programa costuma priorizar a segurança e a saúde do participante, ainda que isso implique sua saída definitiva da competição.
O caso reacende o debate sobre os limites físicos e emocionais impostos em realities de resistência e reforça que episódios neurológicos, mesmo quando isolados, devem ser tratados como emergência médica, sem exceções.


