Finlandeses identificam bactéria intestinal que pode ser causa de Parkinson


Para investigar distúrbio neurodegenerativo, pesquisadores isolaram o microrganismo “Desulfovibrio” das fezes de pacientes e deram como alimento para vermes modificados em laboratório

Certas cepas da bactéria intestinal Desulfovibrio, encontrada em ambientes úmidos, podem ser a principal causa de Parkinson, segundo um novo estudo publicado em 1º de maio na revista Frontiers in Cellular and Infection Microbiology.

A descoberta é importante, pois a causa do distúrbio neurodegenerativo é considerada desconhecida. Este mistério surgiu há cerca de dois séculos, desde que o médico inglês James Parkinson descreveu pela primeira vez a doença como uma condição neurológica.

O estudo, conduzido por Saris e colegas de Helsinque e da Universidade do Leste da Finlândia, se baseia em resultados de uma investigação anterior mostrando que a gravidade do distúrbio neurodegenerativo em voluntários aumentou com as concentrações de cepas de Desulfovibrio em suas fezes.

Na nova pesquisa, a equipe coletou amostras fecais de 10 pacientes com Parkinson e seus cônjuges saudáveis ​​e isolou cepas da bactéria presentes. Juntamente com dois grupos de controle de bactérias de um gênero completamente diferente, os microrganismos extraídos foram dados como alimento para vermes nematoides Caenorhabditis elegans modificados para expressar a proteína α-sinucleína humana.

As cepas de bactéria coletadas de pacientes com Parkinson também foram melhores em agregar as proteínas nos vermes do que aquelas coletadas de seus parceiros. Além disso, esses nematoides geralmente morriam em números maiores do que os dos grupos de controle.

Conforme Saris, uma vez que a bactéria Desulfovibrio é eliminada do intestino, os agregados de α-sinucleína não são mais formados nas células intestinais, de onde viajam para o cérebro.

Apesar dos vermes serem muito diferentes dos seres humanos, as conclusões podem ajudar a rastrear portadores das bactérias intestinais. “Eles podem ser alvo de medidas para remover essas cepas do intestino, potencialmente aliviando e retardando os sintomas de pacientes com Parkinson”, diz o professor.

REVISTA GALILEU

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