Mpox: como se transmite o vírus e como evitar a contaminação?


Segundo dados do painel de monitoramento do Ministério da Saúde, o Brasil chegou a 90 casos de mpox neste ano, 88 confirmados e dois prováveis, até o último dia 20. O número mostra uma queda em relação ao ano passado: nas oito primeiras semanas de 2025, foram 244 registros.

Ainda assim, a doença, que se espalhou pelo mundo de forma inédita em 2022, segue a circular e a provocar um número importante de casos pelo planeta. De acordo com último informe da Organização Mundial da Saúde (OMS), 1.334 diagnósticos foram confirmados em janeiro de 2026 em 50 países.

Os casos no continente africano, onde o vírus é endêmico há mais tempo, representam a maioria (66%). No entanto, a região tem apresentado uma tendência de queda desde o pico em maio de 2025, segundo a OMS.

As outras regiões também apresentaram uma diminuição no número de novos casos em janeiro em relação a dezembro, caso das Américas, onde houve uma redução de 54%, de 376 para 172 infecções. Na Europa, porém, os casos cresceram 67%, de 129 para 216.

Como se transmite a mpox?

Em meio ao cenário de circulação global do vírus, é importante estar atento às formas de transmissão e aos sinais da doença para evitar o contágio. Segundo informações da OMS, a mpox se espalha de pessoa para pessoa principalmente por meio de contato próximo com alguém contaminado.

Esse contato próximo inclui contato pele a pele como toque ou relação sexual e contato boca a boca ou boca com pele como beijo. De acordo com a OMS, pessoas com múltiplos parceiros sexuais apresentam maior risco de adquirir mpox.

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Mas o contato próximo também pode incluir ficar frente a frente com alguém que tem mpox, como conversar ou respirar próximo um do outro, o que pode gerar partículas respiratórias infecciosas.

Além disso, é possível contrair o vírus a partir de objetos contaminados, como roupas ou roupas de cama, por meio de acidentes com agulhas em serviços de saúde ou em ambientes comunitários, como estúdios de tatuagem. Durante a gravidez ou o parto, o vírus também pode ser transmitido ao bebê.

Por fim, também ocorre a transmissão de mpox de animais para humanos, por meio de mordidas ou arranhões, ou durante atividades como caça, esfolamento, captura, preparo de alimentos, manipulação de carcaças ou consumo de animais. No entanto, o vírus costuma circular mais em roedores de regiões da África.

Prevenção da mpox

O Ministério da Saúde orienta evitar o contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da mpox e, no caso de necessidade de contato, utilizar luvas, máscaras, avental e óculos de proteção.

Pessoas com suspeita ou confirmação de mpox devem cumprir isolamento imediato, não compartilhar objetos e material de uso pessoal, tais como toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente, talheres, até o término do período de transmissão.

Além disso, a pasta orienta lavar regularmente as mãos com água e sabão ou utilizar álcool em gel, principalmente após o contato com a pessoa infectada, suas roupas, lençóis, toalhas e outros itens ou superfícies que possam ter entrado em contato com as erupções e lesões da pele ou secreções respiratórias.

Também é indicado lavar as roupas de cama, roupas, toalhas, lençóis, talheres e objetos pessoais da pessoa com água morna e detergente; limpar e desinfetar as superfícies contaminadas e descartar os resíduos contaminados de forma adequada.

Vacinação para mpox

O Ministério da Saúde oferece a vacina para mpox a alguns públicos considerados de maior risco de contaminação ou de evolução para formas graves da doença. São eles:

Pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA): homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais; com idade igual ou superior a 18 anos; e com status imunológico identificado pela contagem de linfócitos T CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses;

Profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus em laboratórios com nível de biossegurança 2 (NB-2), de 18 a 49 anos de idade.

Além disso, alguns usuários de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP), estratégia que envolve comprimidos diários para evitar a infecção pelo HIV em pessoas que não vivem com o vírus, podem acessar a vacina para mpox pelo SUS.

O imunizante também pode ser aplicado a pessoas que tiveram contato direto com fluidos e secreções corporais de pessoas suspeitas, prováveis ou confirmadas para mpox, cuja exposição seja classificada como de alto ou médio risco. Isso porque o tempo de incubação do vírus, entre a exposição e o início dos sintomas, leva de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21, dando tempo para a vacina agir.

Sintomas da mpox

Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas envolvem principalmente erupções na pele; linfonodos inchados (ínguas); febre; dor de cabeça; dores no corpo; calafrios e fraqueza.

Após a manifestação de sintomas como erupções na pele, o período em que as crostas desaparecem, a pessoa doente deixa de transmitir o vírus. As erupções geralmente começam dentro de um a três dias após o início da febre, mas às vezes, podem aparecer antes da febre.

As lesões podem ser planas ou levemente elevadas, preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas, que secam e caem. O número de lesões em uma pessoa pode variar de algumas a milhares de lesões.

As erupções tendem a se concentrar no rosto, na palma das mãos e planta dos pés, mas podem ocorrer em qualquer parte do corpo, inclusive na boca, olhos, órgãos genitais e no ânus.

Fonte: Jornal O Globo. 

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