Quer parar de fumar? Saiba quais tratamentos o SUS oferece


O cigarro é um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas ainda fumam. O hábito está associado a doenças como câncer, enfisema pulmonar, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), e responde por uma parcela importante das mortes evitáveis. Existem diferentes abordagens para quem deseja parar, algumas delas são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Mesmo com a ampla divulgação dos riscos de fumar, abandonar o cigarro costuma ser um processo difícil, porque envolve dependência física e psicológica. Essa dificuldade tem explicação biológica. A nicotina atua diretamente no sistema nervoso e estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer.

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“Cada vez que fuma, a pessoa produz dopamina e sente bem-estar. Com o tempo, o cérebro passa a depender do cigarro para liberar essa substância”, explica o pneumologista Paulo Feitosa, que atua em Brasília.

Além do componente químico, existe o hábito incorporado ao cotidiano. Situações de estresse, pausas no trabalho ou momentos sociais costumam reforçar a associação com o cigarro. A pneumologista Gilda Elizabeth, do Hospital Brasília, lembra que, ao tentar parar, muitos pacientes enfrentam abstinência.

“O cigarro vira uma válvula de escape emocional. Quando a pessoa interrompe, pode ter irritação, insônia e vontade intensa de fumar”, diz a médica.

Tratamentos mais eficazes

A cessação do tabagismo costuma combinar diferentes abordagens. Segundo o pneumologista André Nathan, coordenador da pneumologia do Hospital Sírio-Libanês, o acompanhamento psicológico costuma caminhar junto com o tratamento medicamentoso.

“Hoje trabalhamos principalmente com terapias farmacológicas e terapia cognitivo-comportamental. Uma complementa a outra”, diz. Entre os medicamentos mais usados estão a bupropiona, a vareniclina, a citisina e a terapia de reposição de nicotina com adesivos ou goma.

“A vareniclina costuma apresentar taxas maiores de abstinência, especialmente em dependência moderada a grave. Já a bupropiona pode ajudar pacientes mais ansiosos, porque tem efeito antidepressivo e ansiolítico”, aponta.

A reposição de nicotina também pode ser usada sozinha ou combinada a outros medicamentos, o que tende a aumentar a eficácia do tratamento.

“Adesivos e gomas ajudam a reduzir a fissura e os sintomas de abstinência, podendo elevar em até 50% ou 60% as chances de parar de fumar”, afirma o especialista. Em geral, são indicados para pessoas com consumo mais elevado de cigarros.

As diretrizes internacionais consideram bupropiona e vareniclina como opções de primeira linha. A vareniclina atua nos receptores de nicotina, diminuindo tanto a vontade quanto o prazer associado ao cigarro. No Brasil, porém, a vareniclina não está amplamente disponível e não integra a oferta do SUS.

O que o SUS oferece?

Por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), o SUS oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar. O atendimento ocorre principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com acolhimento clínico, orientação individual ou em grupo, apoio psicológico e, quando indicado, medicamentos.

Entre as opções disponíveis estão adesivos e goma de nicotina, além da bupropiona, conforme protocolos clínicos nacionais. Segundo o Ministério da Saúde, o acesso geralmente começa na própria unidade de saúde ou por encaminhamento das secretarias municipais.

Foto colorida de mulher de suéter quebrando cigarro ao meio - Metrópoles

Estratégias que ajudam na prática

Especialistas recomendam estabelecer uma data para parar completamente, identificar gatilhos do hábito e modificar rotinas associadas ao cigarro. Atividade física, terapia e apoio social costumam facilitar o processo.

Também é importante lidar com recaídas sem culpa. Parar de fumar muitas vezes exige várias tentativas até a interrupção definitiva, e persistência faz parte do tratamento.

Com suporte profissional, medicação adequada e mudanças de comportamento, a chance de sucesso aumenta significativamente. E mesmo após anos fumando, os benefícios para a saúde começam a aparecer rapidamente depois da interrupção.

Fonte: Jornal O Globo. 

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