Secretaria de Saúde projeta avanço das viroses em Natal após Carnaval e volta às aulas


A combinação entre retorno das aulas, maior circulação de pessoas e efeitos do período pós-Carnaval acendeu um alerta na rede pública de saúde de Natal. A Secretaria de Saúde de Natal (SMS) avalia que as próximas semanas devem registrar crescimento na circulação de viroses, especialmente as de origem respiratória e gastrointestinal, cenário já observado de forma preliminar nos dados epidemiológicos mais recentes do município.

De acordo com a chefe do Setor de Vigilância Epidemiológica, Lorena Araújo, a elevação é considerada esperada para esta época do ano, sobretudo após períodos prolongados de festas, férias e mudanças de rotina. “Durante esse período já é esperado o início do aumento dos vírus respiratórios”, afirmou. Embora ainda não haja explosão no número total de casos, a vigilância aponta maior presença de rinovírus e influenza A em comparação às semanas anteriores.

 

Os números oficiais mostram que, até a semana epidemiológica nº 6, entre 4 e 14 de fevereiro, foram 49 notificações confirmadas de vírus respiratórios em Natal. O rinovírus lidera as ocorrências, com 24 registros, seguido pela influenza A, responsável por 13 casos. A leitura técnica é clara: os vírus já circulam com mais intensidade, mesmo antes do impacto completo do Carnaval aparecer nos dados consolidados.

Viroses intestinais também entram no radar

Além dos quadros respiratórios, a Secretaria de Saúde projeta aumento das gastroenterites virais, comuns neste período. Lorena Araújo explica que esses casos costumam provocar diarreia e vômitos, mas muitas vezes acabam confundidos com infecções alimentares. “Durante esse período de carnaval também há uma maior circulação dos vírus que causam as gastroenterites virais”, destacou. O consumo de alimentos fora de casa e o uso excessivo de álcool contribuem para esse cenário, dificultando o diagnóstico imediato.

Na prática, a tendência observada é de crescimento nos atendimentos ambulatoriais, impulsionado tanto pela circulação viral quanto por hábitos que se modificam durante o verão e as festas. “Tem uma tendência para aumentar o número de atendimentos, em função tanto da maior circulação viral como de hábitos que se modificam durante esse período do Carnaval”, reforçou a chefe da Vigilância.

 

Mesmo com predominância de quadros leves e moderados, Natal também contabilizou 42 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) até 14 de fevereiro. Embora esse total represente redução superior a 15% em relação ao mesmo período do ano passado, a Secretaria alerta que os números ainda não refletem o impacto pleno do Carnaval e podem sofrer influência da subnotificação nos serviços de saúde.

Unidades Básicas de Saúde já registram aumento na procura por testes de Covid-19, reflexo direto da circulação de síndromes gripais e viroses. A orientação da pasta é manter vigilância ativa, principalmente diante das aglomerações típicas do início do ano letivo.

Volta às aulas amplia exposição entre crianças

Com o retorno das atividades escolares, crianças e adolescentes passaram a procurar mais os serviços de saúde em Natal. A infectologista Gisele Borba, do Hospital Universitário Onofre Lopes, explica que mesmo crianças aparentemente saudáveis podem adoecer ao serem expostas a novos ambientes. “Esse choque que acontece assim que chega nas aulas e que tem contato com o coleguinha adoecido e aí ela acaba adoecendo também”, relatou.

Ela lembra que o verão favorece tanto vírus respiratórios quanto gastrointestinais e cita a chamada “virose pós-carnaval” como fenômeno recorrente. Alterações no sono, alimentação irregular e excesso de atividades durante as férias enfraquecem o sistema imunológico infantil. “Tem aquela alimentação em praia que às vezes não está bem conservada, favorece a chegada dos vírus gastrointestinais”, afirmou, destacando ainda as aglomerações em casas de praia e eventos festivos como fator de risco adicional.

Diante do cenário, a Secretaria de Saúde reforça que medidas simples continuam sendo decisivas: manter a vacinação atualizada, higienizar as mãos com água e sabão ou álcool 70%, priorizar ambientes ventilados e evitar contato próximo ao apresentar sintomas, utilizando máscara quando necessário. A leitura técnica é direta: o aumento das viroses não é surpresa, mas exige atenção redobrada da população e da rede de saúde nas próximas semanas.

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