As festas juninas estão entre os períodos do ano que registram aumento nos casos de queimaduras atendidos nos serviços de saúde. Embora acidentes domésticos permaneçam como os mais frequentes ao longo de todo o ano, a combinação de fogueiras, fogos de artifício e bebidas alcoólicas amplia a exposição da população a situações de risco. E em 2026, com a Copa do Mundo em curso, os riscos tornam-se ainda maiores. Segundo o cirurgião plástico Hildo Fernandes, da Unidade Médica Integrada do DNA Center, os casos mais graves costumam estar relacionados ao manuseio inadequado de explosivos e à proximidade excessiva com as chamas.
Além das queimaduras provocadas diretamente pelo fogo, os fogos de artifício podem causar lesões complexas devido à energia liberada durante as explosões. “Em alguns casos, observamos mutilações de mãos, lesões nos olhos e até perda da visão”, explica o médico. Ele destaca ainda que crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis, por apresentarem menor percepção dos riscos e mais dificuldade para lidar com superfícies aquecidas e artefatos explosivos.
O que fazer em casos de acidentes?

Dr. Hildo Fernandes, cirurgião plástico
De acordo com o especialista, a orientação é evitar receitas caseiras e agir de forma simples e segura. A recomendação é lavar imediatamente a área atingida com água corrente em temperatura ambiente, proteger a lesão com um pano limpo e procurar atendimento médico. Substâncias como pasta de dente, pasta d’água e outros produtos populares não devem ser aplicadas, pois podem agravar o quadro e dificultar o tratamento.
Hildo Fernandes lembra ainda que as consequências de uma queimadura podem ir muito além da dor inicial. Dependendo da gravidade e da região afetada, o paciente pode desenvolver limitações de movimento, cicatrizes permanentes e impactos significativos na autoestima e na vida social. Os casos mais severos exigem tratamento especializado e, muitas vezes, acompanhamento prolongado para reconstrução funcional e estética das áreas lesionadas.
Para aproveitar os festejos com segurança, o cirurgião plástico reforça que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar acidentes. A orientação é manter crianças e idosos sempre supervisionados, evitar o consumo excessivo de álcool antes do manuseio de fogos e redobrar os cuidados com fogueiras e estruturas utilizadas no preparo de alimentos. “Prudência é a palavra-chave. Grande parte dos acidentes pode ser evitada com atenção, responsabilidade e respeito aos riscos envolvidos”, conclui.


