Estudo com 13,5 mil idosos liga redes sociais a pior percepção de saúde mental; e-mail tem associação positiva


O uso de redes sociais pode estar associado a uma pior percepção da saúde mental entre pessoas com 55 anos ou mais, enquanto o e-mail aparece relacionado a avaliações mais positivas do bem-estar psicológico. A conclusão é de um estudo com mais de 13,5 mil idosos canadenses, publicado nesta terça-feira (24) na revista científica PLOS Global Public Health, que sugere que diferentes ferramentas digitais podem ter impactos distintos sobre a saúde mental na terceira idade.

Redes sociais e saúde mental: nem toda ferramenta digital tem o mesmo efeito

Com o avanço da inclusão digital, os idosos se tornaram um dos grupos que mais crescem na internet. No Canadá, 83% das pessoas dessa faixa etária participaram de atividades online em 2022. Mas, segundo a nova pesquisa, estar conectado não significa necessariamente obter os mesmos benefícios para o bem-estar psicológico.

O estudo foi liderado por Hossam Ali-Hassan, da Universidade de York, no Canadá, e analisou dados da Pesquisa Canadense de Uso da Internet de 2022, realizada pelo Statistics Canada.

Ao todo, foram avaliados 13.536 participantes com 55 anos ou mais. Os pesquisadores investigaram quais ferramentas de comunicação digital haviam sido utilizadas nos três meses anteriores à pesquisa e compararam essas informações com a percepção de saúde mental relatada pelos participantes.

Após ajustes para fatores sociodemográficos, os cientistas encontraram diferenças importantes entre os tipos de comunicação digital.

E-mail foi associado a melhor percepção da saúde mental

Entre todas as ferramentas analisadas, o e-mail foi a única que apresentou uma associação positiva significativa com a saúde mental.

Segundo os resultados, idosos que utilizavam e-mail tendiam a avaliar sua saúde mental de forma mais favorável do que aqueles que não usavam a ferramenta.

Os autores sugerem que o e-mail pode favorecer a manutenção de vínculos sociais ao permitir uma comunicação mais estruturada e menos imediata. Diferentemente de outras plataformas digitais, ele oferece ao usuário a possibilidade de ler e responder mensagens no próprio ritmo, o que pode aumentar a sensação de controle sobre as interações sociais.

Além disso, a ferramenta pode facilitar o contato com familiares e amigos e ajudar a reduzir sentimentos de isolamento e solidão.

Estudo com 13,5 mil idosos liga redes sociais a pior percepção de saúde mental; e-mail tem associação positiva — Foto: Adobe Stock

Redes sociais apresentaram associação negativa

Na direção oposta, o uso de redes sociais apareceu associado a uma pior percepção da própria saúde mental.

De acordo com a análise, idosos usuários dessas plataformas relataram avaliações mais negativas de seu estado psicológico quando comparados aos que não utilizavam redes sociais.

Os pesquisadores apontam algumas hipóteses para explicar essa associação.

Entre elas, estão a exposição frequente a conteúdos perturbadores e o fenômeno da comparação social, em que as pessoas avaliam a própria vida com base nas experiências e imagens compartilhadas por outros usuários.

O estudo também cita pesquisas anteriores que relacionaram determinadas atividades online ao aumento de sintomas de ansiedade e depressão em idosos, embora os resultados da literatura científica ainda sejam considerados contraditórios.

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