Hepatites virais costumam evoluir de forma silenciosa e podem permanecer anos sem provocar qualquer sinal de alerta. Por isso, especialistas reforçam que o rastreamento é uma das principais estratégias para identificar precocemente a infecção, iniciar o tratamento quando necessário e evitar complicações como cirrose e câncer de fígado.
A recomendação atual é que todos os adultos realizem testes para hepatites B e C pelo menos uma vez na vida. No entanto, algumas pessoas precisam de mais atenção por apresentarem maior risco de exposição aos vírus ou de desenvolver a doença sem diagnóstico.

Quem precisa de rastreamento com mais frequência?
Segundo a gastro-hepatologista Natália Trevizoli, do Centro de Excelência em Doenças do Fígado do Hospital Santa Lúcia (HSL), em Brasília, embora o teste seja indicado para toda a população adulta, determinados grupos devem manter acompanhamento mais próximo.
Entre eles estão pessoas vivendo com HIV, pacientes em hemodiálise, profissionais com risco ocupacional de contato com sangue, pessoas privadas de liberdade, indivíduos com múltiplos parceiros sexuais, parceiros de pessoas diagnosticadas com hepatites B ou C, filhos de mães infectadas e quem recebeu transfusão de sangue ou transplante antes da adoção dos testes de triagem nos bancos de sangue, além de pessoas que usam drogas injetáveis ou inaladas. Indivíduos com alterações nas enzimas hepáticas também devem ser investigadas, mesmo sem sintomas.
“As hepatites podem permanecer silenciosas por muitos anos. Quando o rastreamento é realizado precocemente, conseguimos identificar a infecção antes do aparecimento de danos irreversíveis ao fígado”, afirma Natália.
A especialista explica que quem mantém exposição contínua aos fatores de risco deve repetir os exames periodicamente, geralmente de forma anual ou conforme orientação médica. Já pessoas que tiveram apenas uma exposição isolada no passado e apresentaram resultado negativo normalmente não precisam repetir os testes, desde que não haja novas situações de risco.
Teste universal amplia o diagnóstico
Para o hepatologista Rogério Alves, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, a estratégia atual prioriza o rastreamento universal, já que muitas pessoas infectadas desconhecem a própria condição.
Ele diz que a evolução lenta das hepatites faz com que o vírus permaneça ativo por anos, provocando inflamação progressiva no fígado sem causar sintomas evidentes. Por esse motivo, a ausência de manifestações clínicas não deve ser interpretada como ausência da doença.
“O vírus costuma agir lentamente e, muitas vezes, pode passar despercebido por anos. O exame permite identificar a infecção antes que surjam complicações e aumenta muito as chances de tratamento eficaz”, destaca Rogério.
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O rastreamento inicial é feito por exames de sangue. Para hepatite B, são utilizados testes como HBsAg, anti-HBs e anti-HBc total, capazes de identificar infecção ativa, contato prévio e imunidade. Já para hepatite C, o exame inicial é o anti-HCV, que, quando positivo, deve ser confirmado pelo teste HCV-RNA, responsável por detectar infecção ativa.
Diagnóstico precoce evita cirrose e câncer
Além do diagnóstico, os especialistas ressaltam que a prevenção continua sendo fundamental. A vacinação contra hepatite B, o uso de preservativos nas relações sexuais, o não compartilhamento de seringas e materiais perfurocortantes e a realização de procedimentos apenas em locais que seguem normas de biossegurança reduzem significativamente o risco de transmissão.
Quando a infecção é identificada precocemente, as perspectivas de tratamento são favoráveis. A hepatite C pode ser curada na maioria dos casos com medicamentos orais, enquanto a hepatite B pode ser controlada com terapias que reduzem a progressão da doença e o risco de complicações.
O diagnóstico em tempo oportuno permite evitar quadros de cirrose, insuficiência hepática, hipertensão portal e câncer de fígado, além de diminuir a transmissão dos vírus para outras pessoas. Dessa forma, ampliar o rastreamento continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir o impacto das hepatites virais na saúde pública.
Fonte: Metrópoles.


