Anvisa alerta para riscos de famosos e médicos gerados por IA para vender remédios e suplementos nas redes sociais


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou, nesta terça-feira, para casos de celebridades e médicos gerados com inteligência artificial para comercializar medicamentos ou suplementos alimentares nas redes sociais.

“Criminosos vêm usando este tipo de manipulação, chamada de deepfake – produzida por meio de inteligência artificial (IA) – para gerar credibilidade junto ao público e impulsionar vendas de produtos que muitas vezes são clandestinos (produzidos sem autorização) ou falsificados (que imitam os originais)”, diz o órgão em nota.

Uma pesquisa conduzida pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ), entre os meses de abril e maio de 2025, analisou 6,5 mil anúncios relacionados à saúde veiculados nas plataformas da Meta e constatou que 76% eram fraudes.

Famosos como Drauzio Varella, Susana Vieira, Simone Mendes e até o ex-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, apareceram entre os 10 mais usados ilegalmente pelos golpistas. Drauzio inclusive processou a Meta, empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, por permitir a veiculação das propagandas.

Redes sociais.

Outra celebridade que se manifestou recentemente nas redes sociais sobre o tema foi a atriz Fernanda Montenegro, que disse ter identificado propagandas de medicamentos que utilizaram sua voz de forma indevida e sem autorização. Entre os itens vendidos, remédios que seriam a cura do Alzheimer, algo que não existe hoje.

Por sua vez, a Meta, em fevereiro deste ano, anunciou ações judiciais contra diversas pessoas e empresas que usam as imagens de celebridades com deepfakes para vender produtos em suas plataformas no Brasil e na China.

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Mas não são apenas famosos alvos do golpe. A Anvisa alerta que muitos anúncios publicitários enganosos têm usado médicos criados por IA para disseminar curas “milagrosas” nas redes sociais, sejam medicamentos, suplementos alimentares ou outros produtos para saúde.

“É sempre importante checar as credenciais (como nome e número do registro) do profissional de saúde no site do conselho profissional daquela categoria. No caso dos médicos, a consulta pode ser feita em https://portal.cfm.org.br/busca-medicos”, orienta.

A agência lembra que a Resolução 2.336/2023 do Conselho Federal de Medicina (CFM) também determina que, ao divulgar conteúdos médicos em redes sociais, o profissional se identifique com o número de registro e o do RQE (Registro de Qualificação de Especialista), quando são profissionais que possuem especialidade em alguma área de atuação.

Dicas da Anvisa

Segundo a Anvisa, medicamentos não podem ser vendidos em redes sociais ou sites que não sejam de farmácias no Brasil. Apenas é autorizada a comercialização em drogarias regularizadas ou em seus sites oficiais.

Além disso, a agência lembra que suplementos alimentares não podem conter promessas terapêuticas. “Esses produtos são destinados a pessoas saudáveis, para a suplementação de nutrientes, substâncias bioativas, probióticos ou enzimas, não sendo admitido veicular alegações de cura, tratamento e prevenção de doenças ou agravos”, diz.

A Anvisa lembra que os produtos vendidos em propagandas enganosas podem ser clandestinos ou falsificados, comprometendo não apenas o tratamento de condições de saúde sérias, como levando a riscos para o paciente. Isso porque substâncias que não passam por avaliação da Anvisa não têm garantias sobre a segurança para uso humano ou sobre a eficácia.

Um dos discursos utilizados em muitas dessas fraudes é de soluções 100% naturais e sem riscos, porém “mesmo os medicamentos fitoterápicos (obtidos a partir de plantas medicinais) podem provocar problemas à saúde quando usados de forma indevida e precisam estar regularizados junto à Anvisa”, diz.

“Além de consultar profissionais de saúde habilitados, outra dica é sempre checar a regularidade dos produtos. Com os dados do medicamento em mãos, a consulta pode ser feita até mesmo pelo celular, em https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamentos/”, orienta a agência.

No caso dos suplementos alimentares, informações sobre a regularização dos produtos estão disponíveis em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/alimentos/suplementos-alimentares/como-saber-se-um-suplemento-alimentar-e-autorizado

“E atenção: produtos comercializados como “químicos experimentais” ou para “fins de pesquisa” não podem ser vendidos. A utilização dessas nomenclaturas é, na maioria das vezes, uma tentativa de enganar o consumidor”, continua a agência sanitária.

E se o famoso disse aquilo mesmo?

A Anvisa alerta ainda que, mesmo se não for um caso de IA, é importante não confiar plenamente em recomendações de tratamento veiculadas nas redes sociais.

“Um produto indicado para um paciente não serve para toda e qualquer pessoa. Os históricos clínicos variam de pessoa para pessoa, assim como as doenças preexistentes e a interação com outros medicamentos que cada uma usa em sua rotina”, lembra.

O órgão cita ainda que influenciadores são muitas vezes contratados por uma marca para impulsionar vendas ou captar novos clientes, sem conhecer as particularidades do quadro de saúde de cada indivíduo.

Antes de adotar qualquer tratamento, é fundamental procurar um profissional de saúde habilitado e qualificado para avaliar o seu caso, diz a Anvisa.

Fonte: Jornal O Globo. 

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