Nessa terça-feira (22/9), a candidata ao Senado pelo Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL) deu entrada no Hospital DF Star, em Brasília. Em nota divulgada pelo próprio hospital, foi informado que a ex-primeira-dama está com um quadro de enxaqueca refratária, uma condição na qual, mesmo recebendo medicamentos, o paciente segue tendo crises incapacitantes.
Até o momento, Michelle segue internada e ainda não tem previsão de alta. Pouco mais de um mês antes, a ex-primeira-dama foi hospitalizada para realizar uma série de exames após ter uma crise de enxaqueca. À época, ela chegou a fazer um procedimento devido a um quadro persistente de dor de cabeça.
“O Hospital DF Star informa que a Sra. Michelle Bolsonaro deu entrada na data de hoje (22/9/2026), com quadro de enxaqueca refratária ao tratamento clínico ambulatorial iniciado há dois meses. No momento, encontra-se em tratamento clínico especializado, sem previsão de alta hospitalar”, afirma a nota do hospital.
O que é enxaqueca refratária?
Como citado anteriormente, a enxaqueca refratária é uma condição que continua causando incômodos, mesmo se o paciente receber o tratamento indicado. Como consequência, a pessoa é acometida com dores de cabeça incapacitantes que podem até impedir a realização de atividades simples, como se levantar da cama.
“A enxaqueca, por si só, já é um tipo de dor de cabeça, e a refratária é aquela que, mesmo com o uso adequado das medicações — tomando tudo corretamente, nas doses e nos horários certos — e depois de já ter tentado uma série de estratégias para prevenir as crises, a pessoa continua tendo episódios”, explica o clínico geral Paulo Camiz, do Hospital Sirio Libanês.

Um estudo publicado na revista eBioMedicine em 2024, que faz uma descrição clínica da enxaqueca refratária, afirma que a condição se caracteriza por cerca de oito dias mensais de dores de cabeça debilitantes e resposta inadequada a aproximadamente três classes de medicamentos preventivos para o quadro.
Segundo a pesquisa, a enxaqueca refratária possui mecanismos complexos e ainda desconhecidos que afetam a eficácia dos tratamentos preventivos.
“O manejo da enxaqueca refratária é desafiador e frequentemente malsucedido, baseando-se em combinações de diferentes medicamentos e tratamento não farmacológico. Pesquisas futuras devem ter como objetivo identificar indivíduos com risco de desenvolver falhas no tratamento, prevenir a condição, investigar os mecanismos de refratariedade aos tratamentos e encontrar estratégias de tratamento eficazes”, escreveram os autores no artigo.
Camiz afirma que, em geral, o uso excessivo de medicamentos analgésicos ou consumo de alguma substância estimulante, como a cafeína, pode favorecer a ocorrência de enxaquecas refratárias.
“Frequentemente, a enxaqueca também está associada a questões emocionais. Então, quando você trata o aspecto emocional da pessoa, ela melhora“, acrescenta o médico.


