O Departamento de Estado dos Estados Unidos enviou uma nota diplomática formal à Rússia solicitando mais informações sobre um possível surto em um laboratório de pesquisa antipeste na Sibéria. O pedido por mais esclarecimentos ocorre após a morte de Darya Shipilova, funcionária de 28 anos do Instituto Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente, em Irkutsk. Ela morreu de uma pneumonia misteriosa em um hospital de Shelekhov, cidade próxima a Irkutsk onde vivia.
“Solicitamos oficialmente informações adicionais ao governo russo”, informou o departamento em comunicado divulgado na terça-feira. “Também estamos em comunicação oficial com outros países ao redor do mundo para compartilhar informações.”
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tornou público o pedido na terça-feira durante uma viagem à Islândia, destacando que os EUA estão monitorando a situação.
— Acho que cabe à Rússia, obviamente, compartilhar mais informações com o mundo. Estamos acompanhando isso muito de perto, hora a hora — declarou Rubio.
A morte de Darya Shipilova levou as autoridades russas a colocarem em quarentena parte do hospital, funcionários do instituto e outras pessoas que tiveram contato com Shipilova nos últimos dias de vida. Outras instalações em Irkutsk e regiões próximas também adotaram medidas restritivas, em alguns casos como medida preventiva.
Em 4 de outubro, a agência reguladora russa de saúde pública, Rospotrebnadzor, divulgou um comunicado informando que uma funcionária do instituto havia morrido em decorrência de uma pneumonia de origem desconhecida. O órgão afirmou que exames laboratoriais realizados nos restos mortais da mulher não identificaram organismos relacionados às suas atividades profissionais.
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A Rospotrebnadzor informou na terça-feira que o monitoramento e os testes de 60% das pessoas sob observação já haviam sido concluídos e que a avaliação dos demais casos estava perto do fim. O órgão acrescentou que, até o momento, nenhum caso de peste foi detectado.
“Os exames laboratoriais identificaram dois casos de Covid-19 e dois casos de infecção por rinovírus, causador do resfriado comum,”informou a agência, segundo a agência de notícias Interfax. “Nenhum outro agente infeccioso foi detectado entre os contatos monitorados”.
Ainda assim, a falta de detalhes fornecidos pelas autoridades russas tem causado apreensão entre autoridades americanas e outras ao redor do mundo, que ainda carregam as marcas da pandemia de Covid-19 e se lembram das tentativas do governo autoritário da China, onde o vírus surgiu, de ocultar informações.
Até agora, o governo chinês tem adotado uma resposta discreta diante dos relatos vindos da Rússia.
— A China e a Rússia mantêm intercâmbios e cooperação estreitos na área de prevenção e controle de doenças infecciosas, incluindo a peste — afirmou Guo Jiankun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em uma breve resposta publicada online na terça-feira. Ele respondia a uma pergunta sobre se Moscou havia notificado Pequim a respeito do possível caso de peste.
Quais são os sintomas da peste pneumônica?
A peste pneumônica provoca uma infecção pulmonar grave de rápida evolução e é considerada a forma mais virulenta da doença. Ela é causada pela mesma bactéria responsável pelas formas bubônica e septicêmica da peste.
Especialistas afirmaram que, mesmo que a peste seja confirmada no caso russo, o risco de uma disseminação ampla seria limitado. Em comunicado divulgado na segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, com base nas informações disponíveis, “o risco para a saúde pública da população em geral parece ser baixo”.
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Na terça-feira, o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a OMS “solicitou informações adicionais para esclarecer a causa da pneumonia grave” que matou Shipilova. Segundo ele, a entidade também busca esclarecimentos sobre “o agente patogênico que motivou as medidas de saúde pública” adotadas na Sibéria após a morte da pesquisadora.
O presidente americano, Donald Trump, ofereceu ajuda à Rússia para lidar com o possível surto, mas autoridades russas responderam afirmando que a situação está sob controle.
— É sempre muito positivo quando são feitas ofertas de ajuda mútua — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri S. Peskov.
Na terça-feira, Trump afirmou a jornalistas que conversaria “muito em breve” com o presidente russo, Vladimir V. Putin, para discutir o possível surto.
Elena Sofina, vice-prefeita de Shelekhov responsável pela área social, declarou em comunicado na terça-feira que as autoridades russas são capazes de lidar com a situação sozinhas. Ela descreveu o cenário como “completamente sob controle”.
— Um diagnóstico perigoso não foi confirmado, mas continuamos seguindo todas as medidas previstas pelos protocolos — afirmou Sofina. — Sessenta por cento dos pacientes já deixaram a quarentena. Seguimos trabalhando.


