Com o envelhecimento, o sistema imunológico perde parte de sua capacidade de resposta; saiba quais vacinas são recomendadas e como elas ajudam a evitar complicações graves
Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein

À medida que envelhecemos, manter a vacinação em dia torna-se uma das principais estratégias para prevenir doenças graves, hospitalizações e perda de qualidade de vida. Após os 60 anos, o organismo passa por mudanças naturais que afetam o funcionamento do sistema imunológico, favorecendo infecções e suas complicações.
Esse processo é conhecido como imunossenescência, a redução gradual da capacidade de defesa do organismo. “Assim como ocorre perda de força muscular e de outras funções do corpo quando ficamos mais velhos, o sistema imunológico também envelhece. Por isso, a partir dos 60 anos, ficamos mais suscetíveis a infecções e respondemos pior a elas”, explica o médico Alfredo Gilio, coordenador da Clínica de Imunizações do Einstein Hospital Israelita.
Daí a importância de manter a caderneta de vacinação atualizada. “As vacinas ajudam o organismo a produzir anticorpos e vão oferecer proteção quando essas pessoas tiverem contato com os agentes infecciosos”, reforça a médica Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Além da imunossenescência, muitas pessoas idosas convivem com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e condições cardiovasculares, fatores que também podem aumentar o risco de complicações. “Uma influenza em um adulto jovem saudável é muito diferente da influenza em uma pessoa com mais de 60 anos. O risco de pneumonia, necessidade de hospitalização e até de morte é maior”, observa Gilio.
O papel da vacina
Entre os imunizantes, a vacina contra a influenza é a principal recomendação para esse público, especialmente durante os meses de maior circulação de vírus respiratórios. A vacinação deve acontecer uma vez ao ano e faz parte do calendário nacional de imunizações do Ministério da Saúde.
As vacinas pneumocócicas ajudam a prevenir pneumonias causadas pelo pneumococo, também preocupante nessa faixa etária. Na rede pública, porém, esse imunizante está disponível apenas para idosos acamados ou que vivem em instituições de longa permanência. A vacinação contra a Covid-19 segue recomendada para pessoas com mais de 60 anos e está disponível exclusivamente no Sistema Único de Saúde (SUS). “Grande parte dos casos graves e dos óbitos por Covid continua concentrada nessa população. Por isso, os reforços são importantes a cada seis meses”, ressalta Alfredo Gilio.
No SUS, o Calendário Técnico Nacional de Vacinação do Idoso prevê a imunização contra hepatite B e, em casos específicos, as vacinas dupla bacteriana (difteria e tétano), febre amarela, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e varicela. Para quem tem acesso ao sistema privado, é indicado imunizar-se contra o herpes-zóster, uma doença dolorosa


