Iniciativa integrou as ações do Dia Mundial da Saúde da Pele, com foco na prevenção e no tratamento do câncer de pele
Como parte das ações do Dia Mundial da Saúde da Pele, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) apoiou a ação de assistência dermatológica realizada com a população indígena Kaingang da Terra Indígena Guarita, no norte do Rio Grande do Sul. Com a participação da SBD, a iniciativa passou a integrar oficialmente a campanha do Dia Mundial da Saúde da Pele, da Liga Internacional das Sociedades Dermatológicas (ILDS).
“O Projeto Guarita mostrou, na prática, o compromisso da Sociedade Brasileira de Dermatologia em levar assistência especializada para quem mais precisa. Estar presente em uma comunidade com alta incidência de albinismo, oferecendo atendimento, realizando cirurgias e reforçando orientações sobre prevenção do câncer da pele foi extremamente gratificante. Essa iniciativa representa nossa missão de ampliar o acesso à dermatologia e promover saúde para populações que enfrentam maiores barreiras de assistência”, afirma o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui.
A Terra Indígena Guarita despertou o interesse de pesquisadores após o Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificar uma ocorrência de albinismo superior à observada na população em geral. A partir dessa constatação, foi criado um projeto de acompanhamento dermatológico em parceria com a UFRGS, ao qual a SBD se uniu neste ano para fortalecer e ampliar a assistência prestada à comunidade.
Durante a edição deste ano, realizada nos dias 16 e 17 de julho, foram promovidas consultas dermatológicas, cirurgias e biópsias, reforçando o compromisso da SBD em ampliar o acesso à assistência especializada em regiões com maior vulnerabilidade. Além de tumores cutâneos, também foram diagnosticadas doenças como dermatite atópica, acne, escabiose e psoríase.

Para o coordenador local da iniciativa, Dr. Renan Bonamigo, dermatologista da SBD e professor da UFRGS, o projeto vai além da assistência médica.
“Essa ação reúne assistência, educação e extensão universitária. Além dos atendimentos aos pacientes da Terra Indígena, contamos com a participação de residentes de medicina e estudantes indígenas da área da saúde, fortalecendo a formação de novos profissionais e a troca de conhecimentos com a comunidade. Também mantivemos uma parceria com o Hospital Santo Antônio, de Tenente Portela, onde foram realizados os procedimentos cirúrgicos, garantindo a continuidade do cuidado aos pacientes”, destaca.
A equipe também reforçou orientações sobre fotoproteção, fundamentais tanto para pessoas com albinismo quanto para toda a população. Entre as recomendações estão evitar a exposição ao sol nos horários de maior intensidade da radiação ultravioleta, de 9h às 15h, utilizar roupas com proteção solar, chapéus de aba larga, óculos escuros e aplicar corretamente o protetor solar.
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O impacto da iniciativa também é percebido pelos próprios pacientes. Lucia, que tem albinismo possui três filhos, dois também nasceram com a condição. Claudemir, o filho mais velho, de 18 anos, passou por uma cirurgia para retirada de um câncer de pele há menos de um ano e retornou ao projeto para acompanhamento. Para ele, o acesso à informação mudou a rotina de cuidados.
“Evito ficar no sol, fico na sombra, uso chapéu e protetor solar”, afirma.
Maicon, irmão mais novo, de 11 anos, também já coloca em prática os cuidados aprendidos durante as ações do projeto. “Eu uso boné e fico na sombra”, conta.
A ação, que ocorreu em parceria com a UFRGS, o Hospital Santo Antônio de Tenente Portela e o Polo Base Guarita, integrou os esforços da SBD para ampliar o acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento do câncer da pele, especialmente em populações com maior risco para a doença.


