O monitoramento genético dos vírus em circulação também mostra mudança no cenário. Entre as amostras analisadas até 21 de março, 72% estavam ligadas ao subclado K, indicando predominância da variante no país. A tendência acompanha o que foi observado no Hemisfério Norte, onde a mesma linhagem teve papel central na última temporada de gripe.
Entenda o que é a gripe K
A gripe K não representa um novo vírus, mas uma variação dentro da linhagem já conhecida da influenza A (H3N2). Trata-se de um subclado, ou seja, uma ramificação genética que surge ao longo da evolução do vírus.
No Brasil, a detecção ocorreu em dezembro de 2025, em um caso identificado no Pará. Desde então, a variante passou a ser acompanhada pelas autoridades sanitárias.
Até o momento, não há evidências de que a variante provoque quadros mais graves do que outras versões da gripe. A preocupação está mais relacionada à capacidade de transmissão e à possibilidade de prolongar a duração da temporada. Os sintomas seguem o padrão clássico da influenza, incluindo:
- Febre;
- Dor no corpo;
- Cansaço;
- Tosse;
- Dor de garganta.
O cenário de atenção não se limita à gripe. Dados recentes do boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostram aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em todo o país.
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Das 27 unidades federativas, 24 já estão em nível de alerta, risco ou alto risco. Em 2026, mais de 46 mil casos foram registrados, sendo que parte significativa está associada à influenza A e ao vírus sincicial respiratório (VSR).
VSR avança e amplia preocupação
Além da influenza, o vírus sincicial respiratório também apresenta aumento gradual, com circulação antecipada em relação ao padrão esperado. A infecção costuma atingir com mais intensidade crianças pequenas e pode levar a complicações respiratórias importantes, como bronquiolite. A presença simultânea de diferentes vírus respiratórios eleva o risco de impacto sobre a rede de saúde.
Diante do cenário, a Opas recomenda reforço nas campanhas de vacinação, estratégia considerada essencial para evitar internações e mortes. Mesmo com a circulação da variante K, a vacina contra gripe segue eficaz e já contempla a cepa H3N2. No Hemisfério Norte, o imunizante mostrou proteção relevante contra formas graves da doença, especialmente em crianças.