Variante da gripe K ganha força e preocupa autoridades de saúde


O avanço de vírus respiratórios no Hemisfério Sul já começa a se refletir em indicadores de saúde, e a principal preocupação no momento é a circulação de uma variante da influenza A (H3N2), conhecida como gripe K. O alerta foi feito pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), na última segunda-feira (27/4), que vê sinais de início da temporada de inverno na região.

A organização chama atenção para o risco de aumento rápido de casos nas próximas semanas, com possibilidade de sobrecarga nos serviços de saúde, especialmente se houver concentração de internações em períodos curtos.

No Brasil, os primeiros sinais de crescimento já foram identificados. A taxa de positividade para influenza — indicador da circulação do vírus — passou de menos de 5% no primeiro trimestre para 7,4% no fim de março.

O monitoramento genético dos vírus em circulação também mostra mudança no cenário. Entre as amostras analisadas até 21 de março, 72% estavam ligadas ao subclado K, indicando predominância da variante no país. A tendência acompanha o que foi observado no Hemisfério Norte, onde a mesma linhagem teve papel central na última temporada de gripe.

Entenda o que é a gripe K

A gripe K não representa um novo vírus, mas uma variação dentro da linhagem já conhecida da influenza A (H3N2). Trata-se de um subclado, ou seja, uma ramificação genética que surge ao longo da evolução do vírus.

No Brasil, a detecção ocorreu em dezembro de 2025, em um caso identificado no Pará. Desde então, a variante passou a ser acompanhada pelas autoridades sanitárias.

Até o momento, não há evidências de que a variante provoque quadros mais graves do que outras versões da gripe. A preocupação está mais relacionada à capacidade de transmissão e à possibilidade de prolongar a duração da temporada. Os sintomas seguem o padrão clássico da influenza, incluindo:

  • Febre;
  • Dor no corpo;
  • Cansaço;
  • Tosse;
  • Dor de garganta.

O cenário de atenção não se limita à gripe. Dados recentes do boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostram aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em todo o país.

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Das 27 unidades federativas, 24 já estão em nível de alerta, risco ou alto risco. Em 2026, mais de 46 mil casos foram registrados, sendo que parte significativa está associada à influenza A e ao vírus sincicial respiratório (VSR).

VSR avança e amplia preocupação

Além da influenza, o vírus sincicial respiratório também apresenta aumento gradual, com circulação antecipada em relação ao padrão esperado. A infecção costuma atingir com mais intensidade crianças pequenas e pode levar a complicações respiratórias importantes, como bronquiolite. A presença simultânea de diferentes vírus respiratórios eleva o risco de impacto sobre a rede de saúde.

Diante do cenário, a Opas recomenda reforço nas campanhas de vacinação, estratégia considerada essencial para evitar internações e mortes. Mesmo com a circulação da variante K, a vacina contra gripe segue eficaz e já contempla a cepa H3N2. No Hemisfério Norte, o imunizante mostrou proteção relevante contra formas graves da doença, especialmente em crianças.

No Brasil, a campanha está em andamento e prioriza grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas. Além da vacinação, cuidados básicos continuam sendo fundamentais para reduzir a transmissão:

  • Higienizar as mãos com frequência;
  • Evitar contato com pessoas com sintomas;
  • Permanecer em casa em caso de febre;
  • Manter ambientes ventilados.

Com a chegada dos meses mais frios, a combinação de prevenção e vigilância será determinante para conter o avanço dos vírus respiratórios.

Fonte: Metrópoles. 

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