Um tipo de colesterol determinado principalmente pela genética ganhou destaque na nova diretriz sobre o tratamento das dislipidemias publicada em março de 2026 pelo American College of Cardiology (ACC) e pela American Heart Association (AHA).
O documento passou a recomendar que todos os adultos façam, pelo menos uma vez na vida, o exame para medir a lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), um fator de risco que muitas vezes passa despercebido nos exames tradicionais.
A Lp(a) é uma partícula semelhante ao colesterol LDL, popularmente chamado de “colesterol ruim”. A diferença é que seus níveis dependem, em grande parte, da herança genética. Por isso, mesmo pessoas que mantêm uma alimentação saudável, praticam atividade física e apresentam o LDL controlado podem ter a Lp(a) elevada.
Outra característica da partícula é que ela não costuma responder ao tratamento com estatinas, medicamentos usados para reduzir o colesterol LDL. Atualmente, ainda não existem terapias amplamente disponíveis aprovadas para diminuir especificamente a Lp(a), embora novos medicamentos estejam em fase de desenvolvimento.

Diante das evidências acumuladas nos últimos anos, a diretriz orienta que a dosagem da Lp(a) seja incorporada ao rastreamento cardiovascular.
Como seus níveis permanecem praticamente estáveis ao longo da vida, uma única medição costuma ser suficiente para identificar pessoas com predisposição genética.
O que muda com a nova diretriz
- Todos os adultos devem medir a Lp(a) pelo menos uma vez na vida.
- O exame ajuda a identificar um fator de risco hereditário para doenças cardiovasculares.
- Pessoas com histórico familiar de infarto precoce podem se beneficiar da investigação.
- O resultado complementa, mas não substitui, os exames tradicionais de colesterol.
Segundo o ACC, níveis elevados de Lp(a) aumentam o risco de doenças cardiovasculares, mesmo quando o colesterol LDL está controlado. Valores a partir de 125 nmol/L (ou 50 mg/dL) já são considerados elevados e podem indicar maior probabilidade de desenvolver problemas como infarto e AVC.
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A alteração é comum. Estima-se que cerca de 20% da população tenha níveis elevados de Lp(a), embora a maioria das pessoas não saiba disso, já que a condição não provoca sintomas e só pode ser identificada por exame de sangue.
Embora ainda não exista um tratamento específico amplamente disponível para reduzir a Lp(a), conhecer o resultado do exame ajuda o médico a definir estratégias mais intensivas para controlar outros fatores de risco, como colesterol LDL, pressão arterial, tabagismo e excesso de peso.
Ao incluir a dosagem da Lp(a) entre as recomendações de rotina, a nova diretriz busca ampliar a identificação precoce de pessoas com predisposição genética às doenças cardiovasculares, permitindo um acompanhamento mais individualizado e medidas preventivas antes do surgimento de complicações.
Fonte: Metrópoles.


